Em cena: Letícia Leão, Marília Costa e Thais Gimenez.
(Para os integrantes do Projeto Fletir)
Na espera
a imobilidade
a angústia
o torpor.
Na espera o movimento louco
alucinado
choque de corpos
no escuro.
Na espera
de Godot
entramos todos em cena
e dançamos
representando
a nossa dor.
Na espera
improvisamos
nos movemos
em mínimas
danças
dos olhos
da boca
dos braços
das mãos
das pernas
dos pés
até chegarmos
a uma grande revolução
do corpo
sentindo
no seu cerne
que há uma espera
interna
desde o início
de todas as eras.
A espera é infinita.
Mas não precisamos
nos tornar
reféns paralisados
petrificados.
A espera tem muitos ritos.
A espera pode ser circular
ou labiríntica.
A espera é a sua própria vertigem.